quarta-feira, 24 de junho de 2009

A palavra é: narcisismo


Artie é o vizinho gostoso de Betty. É metrossexual. Claro que não bastava apenas ser metrossexual, o cara tinha de ser “algo” além... O “algo além” é a sua opção sexual, que, na verdade, não há opção nenhuma pois ele corta dos dois lados.

Os metrossexuais, na maioria das vezes, são heteros. Todo mundo sabe como eles se comportam e quais as celebridades que o são. Provavelmente, a gente também os conheça no circuito cotidiano de nossas vidinhas. Sempre tem um irmão, primo, filho ou – quem sabe – vizinho, que gasta tubos com cremes para cabelo, pele, ou que passe um bom tempo secando o cabelinho com secador, fazendo chapinha, delineando as sobrancelhas ou combinando (ou fingindo que não combina) cores de roupas. Ah, tem aquele tipinho que leva duas horas para bagunçar o cabelo e mostrar que não tá nem aí pro dito cujo, ahã, sei.

Não confundir VAIDADE com NARCISISMO. Acho lindo ver e conviver com um cara que se cuida e que gosta de si mesmo. No entanto, os narcisistas são uns chatos egocêntricos, imaturos e superficiais. Eca, morram! rs

A fauna masculina está ainda mais complexa. Além dos metros, tem os gastrossexuais e übersexuais. Talvez até eu terminar de postar, haverá outro tipo.

Os gastrossexuais – por definição – são os caras que gostam de cozinhar (comida chique, meu fio), conhecem vinhos e consumem livros de culinária. Consomem no sentido de COMPRAR, e não COMER.

Perfil:

  • Homens entre 25 e 44 anos
  • bem-sucedidos e
  • apaixonados por culinária do mundo todo.

Por que cozinham:

  • Como hobby, para se atualizarem.
  • Para serem elogiados, gostam de exibir as habilidades.
  • Para impressionar namoradas ou ainda como arma de sedução.

Fonte: http://blog.brasilacademico.com


Já os übersexuais são os carinhas que confiam em si mesmos, sem arrogância. Eles estariam mais próximos do comportamento tradicional do homem (qual mesmo..? rs) O exemplo mais famoso seria o George Clooney, aquele feioso, sabe?

"É apaixonado por fazer e ser o que lhe parece natural, e o que o faz sentir bem, em lugar daquilo que outros pensam que deveria fazer ou ser", ressalta o especialista, que concorda com seus companheiros ao afirmar que o novo homem reconhece que "precisa da mulher".Marian Salzman, Ira Matathia e Ann O'Reilly, verdadeiros "gurus" do setor publicitário e autores do livro "The Future of Men" (O futuro dos homens), lançado recentemente nos Estados Unidos.


Ahhhh, entendi, mas... Não é assim que todos nós deveríamos ser? Apaixonados pelo o que fazemos, nos sentirmos bem sem ligar para aceitação alheia ou não...

Desculpe minha burrice, isso é coisa pro futuro, pro homem do futuro. Lembrando sempre, pra não perder a piada: o futuro é um lugar que não existe.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vende-se Máquina de Lavar sem Motor

Dinâmica de grupo como seleção para uma das 50 vagas num famigerado call Center: vender o que estivesse escrito num papelzinho dado pelo selecionador. Havia de tudo, só merdas e futilidades. O objetivo, acho eu, era “aguçar” a criatividade enrustida no candidato à vaga de teleoperador. Claro que na época não sabíamos que usaríamos a criatividade apenas para conseguir a tal vaga. Durante o treinamento, recebíamos o script de vendas com as perguntas de sondagem (abertas e fechadas), introdução (usávamos sempre a mesma: “o Sr. Foi escolhido para receber gratuitamente 30 dias de acesso com nosso provedor), as possíveis objeções e o que fazer CONTRA elas e, evidentemente, a explicação de cada canal e serviço do maldito provedor.

Na dinâmica de seleção, abri meu papel e estava escrito: máquina de lavar roupa sem motor. Eu teria de vender para o selecionador, na frente de mais nove trouxas (entrávamos numa sala em grupos de dez), uma máquina de lavar roupas sem motor. O cara até que foi legal e nos deu dez minutos para pensar. Não pensei muito, porque caso pensasse cairia fora daquela merda na hora e eu já tava lá porque havia bloqueado várias portas na minha mente (nada brilhante). Mandei uma que, Jesus Cristo!, até hoje não entendi como o cara gostou e me deu nota máxima: disse que “cientistas norte-americanos estavam testando máquinas de lavar roupas com chip (hã?!) ao invés do motor. Isso garantia alta velocidade e precisão. As roupas saíam secas da máquina. E, como era um teste de laboratório, o preço da máquina estava bastante reduzido e quando a mesma chegasse ao mercado, subiria às alturas. Era pegar ou largar.” Falei rápido, fingindo que acreditava no que dizia, fingindo que acreditava que éramos seres racionais e havíamos criado algo parecido com a filosofia ocidental... vender máquina de lavar roupa sem motor, ora bolas...Lembro que o homem levantou uma objeção e eu a contornei, nem sei como. A verdade era que metade de mim tava louca pelo emprego (grana, claro) e a outra tava rindo, para variar, lá do alto do teto do meu bom senso. Pior foi para um camarada que teve que vender um par de pilhas descarregadas. Ou o famoso terreno na lua. Ou a caneta esferográfica sem carga...

Mais pra frente descobri que a seleção não era essa. Na verdade, a área de telemarketing é mais autosseletiva. A gente acaba se retirando do recinto, pegando o banquinho e saindo de fininho.

Máquina de lavar roupa ligada à linha telefônica... rs... O desespero é a alma do negócio.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Senta que lá vem história

Agora em função de Ligações da Rua, ando fuçando pela internet atrás de material extra sobre telemarketing para o blogue. Não quero queimar todos os cartuchos usando de minhas ma-ra-vi-lho-sas experiências. Assim, encontrei um relato (realista) em Lisboa (vejam só, na terra dos nossos colonizadores, pois), de uma teleoperadora de call Center receptivo (passivo é só para os homens...hi...hi) que quase foi assassinada via linha telefônica por seu nobre cliente. O desfecho é hilário, mas bem comum. Nem sempre o cliente tem rasgão.


Betty na Retenção do Itop



Atendente Call Center:


Muito boa tarde fala Luciana Coutinho em que posso lhe ser util?

Cliente:

Boa tarde "minha filha", primeiramente quero deixar clara minha indgnação por estar ha 12 minutos a aguardar em uma linha paga.....(Cliente é interrompido pela atendente)

Atendente Call Center:

Senhor, esta linha para qual o senhor está a ligar não é uma linha paga poderá ficar despreocupado...

Cliente:

(ja com a bolinha mais baixa)....ah sim minha filha é que me disseram que essa linha era paga...

Atendente Call Center: Mas esta linha é gratuita senhor passaram-lhe a informação incorrecta(Ja bufando mas com voz de pessoa bondosa, sorridente, alegre e compassiva)...Em que posso lhe ser útil senhor?

Cliente:

É assim minha filha a minha internet não está a funcionar e me disseram para ligar para este número que resolveriam meu problema, aliás ja tem três dias que minha net não funciona...

Atendente Call Center:

Senhor, problemas em relação a acesso a intenet deverá contactar a linha de apoio a banda larga pode anotar o número por favor?

Cliente:

(Gritando...)...Minha filha, você acha que eu sou palhaço? Ja fui a uma loja de vocês e me disseram para te ligar, fiquei 12 minutos na linha pra você não resolver meu problema?

Atendente Call Center:

Lamento por ter aguardado tanto tempo em linha senhor, porém esta linha não está preparada para solucionar questões de banda larga, deverá contactar a linha de apoio...

Cliente:

(gritando muito)....MINHA FILHA ME PASSE O SEU SUPERVISOR PORQUE EU NÃO SOU PALHAÇO E NÃO VOU LIGAR PARA NENHUM OUTRO LUGAR, ME PASSE SEU NOME COMPLETO PRA EU ANOTAR E ME CHAME SEU SUPERVISOR.....

Atendente Call Center:

Meu nome é Luciana Coutinho senhor e deverá contactar a linha de apoio técnico a clientes banda larga...

Cliente:

(Berrando)... QUERO FALAR COM O SEU SUPERVISOR!!!!!!!!!!

Atendente Call Center:

Senhor, pode me indicar por favor o número do seu contribuinte por favor?

O número de contribuinte permitiria entrar na ficha do cliente e ao menos meu supervisor poderia dirigir-se ao cliente chamando pelo nome dele...

Cliente:

1...........3.............4....(Dizendo cada número como uma lesma pronunciaria).......5

Atendente Call Center:

Pode dizer todo o número senhor(Bufando........)

Atendente Call Center:

Aguarde um momento enquanto transfiro a ligação para o supervisor por favor senhor...

Cliente:

Não vou aguardar mais 12 minutos né "minha filha"?

Atendente Call Center:

Não senhor, tentarei ser o mais breve possível....

Conclusão da chamada, após conversar com o supervisor e o supervisor aceder a uma parte do programa que as assistentes não tem acesso, descobriu-se que o cliente estava com 3 meses de factura em atraso e por isso não conseguia aceder a internet.....

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dicas para irritar um teleoperador

Escrevi Ligações da Rua em 2006, dois anos após trabalhar na Atento ( e quem não trabalhou na Atento?!). Fui teleoperadora da venda-ativa, coisa pior não há... Que engano! Um ano depois, passei na seleção da Claro para o telemarketing receptivo da área de cobrança, e digo com todas as letras que hão de me comer: é bem pior que vender. Na Atento fiquei exatos 45 dias (e rendeu um pavor de atender/falar ao telefone, uma análise completa e minuciosa das escolhas que faço na vida e um livro). Aguentei 45 dias no osso, porque as passagens e a alimentação, durante o treinamento de um mês lá na bodega, eram bancados pelo pobre funcionário. Aí pensei: junto a grana que gastei e pico a mula. Foi o que fiz. Acabei ganhando mais do que havia gasto. No entanto, na hora da partida em vez de lágrimas, o cara do RH me deu uma folha para assinar e era a que continha a tal cláusula da quebra de contrato antes do período de experiência. Em bom português: fodi-me.

Ah, na Claro permaneci durante o treinamento, sete dias (pagos pela empresa contratada, o negócio era terceirizado). Não fui ao primeiro dia de trabalho e deixei minha carteira profissional com eles. A ideia não era essa. Na época pensava em sair do mercado “formal” de trabalho com estilo: mijaria na tal CTPS, mesmo plastificada. E depois a lançaria ao fogo, maldita!!!!

Obs.: Usufruí do PIS por uns 4 anos e fui muito feliz. Só Deus sabe. E as praias do Caribe também.

Agora, sou cliente, tô do outro lado. Não esqueço que fui do telemarketing (ó homem sacana!). Consigo entender os dois lados, emocionar-me com os dois lados, rir dos dois lados. É tudo a mesma merda, aqui ou do outro lado da linha.

Chefias burras e com inúmeros transtornos (inclusive alimentares e sexuais), metas incompatíveis com o bom senso, salário de fome e a comissão um somatório de centavos sobre centavos, até se erguer uma pilha de nada. Horário rígido de entrada, banco de horas (que rouba, e nunca é assaltado por ninguém), 120 ligações, 30 segundos entre cada uma, número X de vendas por dia, monitoria na linha (normalmente feita por um boca-aberta), auditoria após cada venda. Motivações: trabalhar seis horas (mesmo com a sensação de 12), ter um turno do dia livre (pensando em como escapar desse emprego dos infernos), café expresso gratuito (mas só na entrada e/ou nos 15 segundos – cronometrados – de intervalo), possibilidade de ascender no hospí...na empresa, assim passar a tortura adiante. E ainda tem engraçadinho que escreve isso:

10 dicas de como irritar um call-center

1. Imite alguém famoso

2. Finja-se de gago

3. Jogue com as armas dele/dela

4. Chá de cadeira

5. Finja-se de surdo

6. Responder tudo na língua do pê

7. Conte a história da sua vida

8. Peça socorro

9. Aja como em um trote

10. Simule uma masturbação

Fonte: Folha de SP Autor: Bruno Torturra Nogueira



Não sendo Steve Martin ou Chandler Bing, quem, pessoas com preocupações cotidianas e absurdamente reais (contas, doenças, chifres, etc.) seguiria essas, digamos, dicas?

Conselho: cliente, fale a verdade, mantenha um pouco de respeito sobre si mesmo, sobre quem tu é, não banque o engraçado ou o “espertinho”. Um dia, um dos meus colegas (do receptivo – suporte técnico) atendeu o próprio pai. Não podendo se identificar e temendo que o mesmo reconhecesse sua voz, ele teve de ser profissional e impessoal. Quanto ao pai...bem... seguiu uma das dicas e humilhou o filho diante de um cara da monitoria que já o havia humilhado na linha. Coisa triste. O meu colega tentou o suicídio semanas depois.

Furou a língua com um grampeador.

Tenho que parar, me emocionei :D